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A SONAECOM colaborou com a AIDGLOBAL ao doar 6.000
livros para o 1º Contentor Solidário para Cabo Verde. O
início de um relacionamento entre as duas
instituições que se deseja frutuoso e duradouro.
Isabel Borgas, com responsabilidade na SONAECOM
pelas áreas de comunicação interna,
externa e responsabilidade corporativa, partilha nesta entrevista a
visão e estratégia da empresa em termos de
Responsabilidade Corporativa e identifica a necessidade do trabalho
em rede entre empresas e organizações do 3º
sector como forma de criar sinergias essenciais à
inovação social.
1. Como definiria a política de Responsabilidade
Corporativa da SONAECOM? Quais são as áreas
privilegiadas de actuação? Onde querem estar e o que
desejam fazer?
A Sonaecom pretende integrar de um modo capaz, consistente e
contínuo as necessidades de um desenvolvimento
sustentável, efectuando a gestão efectiva de
potenciais oportunidades e efeitos adversos.
O ponto de partida foi em 2007, com o desenvolvimento de uma
profunda análise dos riscos e oportunidades de
sustentabilidade para a Sonaecom e seus negócios. No final
de 2008, e com os resultados deste estudo, pudemos criar linhas
orientadoras de actuação que nos permitissem
assegurar que os aspectos sociais, ambientais e económicos e
as questões mais pertinentes relacionadas com as partes
interessadas da Sonaecom estavam identificadas, compreendidas e
incorporadas em toda a organização.
As conclusões do PROS (Projecto de Riscos e Oportunidades
de Sustentabilidade) permitiram-nos desenhar a estratégia de
Sustentabilidade para os nossos negócios, em particular para
o negócio de telecomunicações que foi
identificado por prioritário, e começar a desenvolver
acções que nos permitam, a médio prazo,
alinhar as actividades da organização com essa
estratégia.
Importa referir que as oito questões relevantes
identificadas se prendem com relação com
colaboradores, gestão ambiental, segurança,
ética, transparência e confiança,
educação, acessibilidades e relação
comunidade.
Estas oito questões estiveram na base dos quatro eixos
orientadores de actuação: As nossas pessoas,
Ambiente, Postura responsável e Educação.
2. Quando formalizou a SONAECOM esta política? Conte-me
um pouco da história do envolvimento da SONAECOM com as
questões da Responsabilidade Social.
Quase poderia atrever-me a dizer que as questões da
responsabilidade fazem parte do ADN da Sonaecom, na medida em que
temos um valor corporativo totalmente focado na nossa
responsabilidade em agir cuidando o presente e o futuro.
As preocupações ambientais e sociais fazem parte
do nosso negócio desde o início.
Já em 2003, a Sonaecom obteve a
certificação ambiental ISO 14 001.
Logo no ano seguinte, auscultou os seus colaboradores e procurou
perceber como poderia envolvê-los com estas questões.
E o resultado foi a criação de um programa de
voluntariado - o Smile – que é hoje um benchmark em
termos nacionais, quer pelos níveis de
participação quer pelas acções que tem
vindo a desenvolver ao longo destes anos.
Em 2005 criámos o nosso Código de Conduta, revisto o
ano passado de forma a não perder actualidade e incorporar
questões que se tornaram entretanto relevantes em
matéria de sustentabilidade.
Em Maio de 2006, desenvolvemos o Grupo de Desenvolvimento
Sustentável da Sonaecom (SSDG), através do qual
geríamos as nossas questões de sustentabilidade:
atribuição de responsabilidades internas,
definição de um plano de acção para o
primeiro ano e o estabelecimento de um plano de ciclo de
melhoramento anual. Talvez possamos dizer que este foi o momento em
que assumimos formalmente o nosso compromisso com a
sustentabilidade.
Em Dezembro de 2007, na sequência de um conjunto de
alterações ao nível organizacional com
repercussões na forma como a sustentabilidade se integra na
estrutura da organização, criou-se o Gabinete de
Sustentabilidade (GS). O GS actua sob responsabilidade directa da
Comissão Executiva da Sonaecom e é membro do
Fórum de Sustentabilidade da Sonae SGPS. Durante 2008
formalizámos a criação do GS, definindo a sua
constituição e as suas responsabilidades. O GS
é responsável pela implementação dos
quatro eixos da estratégia de sustentabilidade – As
nossas pessoas, Ambiente, Postura responsável e
Educação.
Tem sido um longo percurso, mas feito de passos firmes e que
queremos consequentes.
3. Que iniciativas destaca nesta área de
actuação da SONAECOM?
A nossa ambição é continuar a promover a
mudança social e económica, melhorar as capacidades
das pessoas e das empresas, promover a optimização
dos processos e criar riqueza. O Desenvolvimento da Sociedade da
Informação tem sido, desde sempre, uma prioridade
para a Sonaecom e continuaremos a promover a info-inclusão e
a lançar produtos e serviços inovadores,
responsáveis e que acrescentem valor.
Neste sentido poderíamos enumerar várias
iniciativas como “Um sorriso com as TIC”, "Iniciativa
de Segurança Idade Maior" (ISIM) em parceria com o
Governo Civil de Braga e que se destina à terceira idade, ou
o Público na Escola, um projecto que existe há 15
anos.
No entanto, pelo seu impacto ao longo da sua existência e
dado a AIDGLOBAL ser uma das instituições parceiras,
destacamos o Smile - Programa de Intervenção na
Comunidade da Sonaecom.
O Smile surgiu em Dezembro de 2004 como Equipa de voluntariado
da Sonaecom. Após quatro anos, mais de 2.000 horas e cerca
de 400 voluntários, alargámos o âmbito de
intervenção do SMILE. Esta
reestruturação, levada a cabo ao longo de 2008, teve
por base o eixo “Educação” da
Política de Responsabilidade Corporativa da Sonaecom e
resultou na criação de um programa de
intervenção na comunidade que englobou a
reorganização das actividades de voluntariado e
introdução de novas áreas de
intervenção. O ponto de partida foi muito simples:
envolvermo-nos com a comunidade através das nossas
competências profissionais, criando valor para as entidades
com quem nos relacionamos e, simultaneamente, sensibilizar e
envolver a própria organização e os nossos
colaboradores no combate à exclusão social. O que para nós pode até parecer algo de muito
simples, para as instituições que apoiamos representa
uma incrível poupança de recursos e de esforço
e um significativo aumento da eficiência por via da
simplificação do trabalho. O principal desafio do
Smile está identificado: dotar estas
instituições com as competências em TIC
necessárias para que possam simplificar processos e
procedimentos e se foquem na sua missão social. Desta forma,
acreditamos que estamos a criar valor para a Sonaecom, os
colaboradores e as instituições parceiras.
Em 2009, o Smile recuperou espaços na Aldeia de
Crianças SOS de Gulpilhares, na Casa de Cedofeita e na Casa
do Vale da CrescerSer e na Casa da Juventude (Médicos
Mundo). Na Casa do Caminho, a equipa de voluntários Smile,
que integra dois colaboradores da Instituição, tem
como objectivo desenvolver arquivos digitais e fotográficos,
desenvolver bases de dados, assim como a optimização
do processo de gestão de stocks. De forma a tornar estes
projectos efectivos para a instituição, também
será ministrada aos colaboradores da Casa do Caminho
formação nestas ferramentas. No global, estes
projectos envolveram 40 voluntários representando 179 horas
de voluntariado.
Ao longo do ano, o Smile organizou ainda cinco campanhas de
recolha de sangue e duas de recolha de medula óssea que
envolveram 258 colaboradores; recolheu cerca de 620
telemóveis, em parceria com a AMI, num projecto de
reciclagem de telemóveis e, claro, doou 6.000 livros
à AIDGlobal para equipar bibliotecas em Cabo Verde.
Todas estas actividades são reportadas nos
Relatórios de Sustentabilidade da Sonaecom,
disponíveis no site da empresa.
4. O que distingue a SONAECOM das demais empresas e grupos
empresariais em termos de Responsabilidade Corporativa? O que vos
diferencia, nesta área?
Na Sonaecom temos um sólido compromisso com o
desenvolvimento económico e social de Portugal.
Através do nosso contínuo investimento na Sociedade
da Informação, contribuímos para tornar
Portugal um país mais competitivo e sem exclusões,
capaz de enfrentar, com sucesso, o desafio do desenvolvimento no
sentido da convergência com os países mais
desenvolvidos da União Europeia.
Este compromisso, sobretudo associado à
inovação tecnológica, tem estado presente na
actividade da Sonaecom de forma consistente e continuada no tempo.
A Sonaecom deu largos passos na inovação ao
desenvolver produtos e soluções novas para o mercado
que não foram previstas pelos concorrentes. A
inovação é uma parte integrante da cultura da
Sonaecom: as atitudes e o comportamento de todos os nossos
colaboradores desafiam os preconceitos da indústria que
limitam o desempenho e a obtenção das melhores
práticas. Somos sobejamente conhecidos por criar
constantemente novas formas de comunicação, tanto no
mercado móvel como no fixo: mais simples, mais eficientes e
mais rentáveis, que melhoram a qualidade de vida. Queremos
energizar a Sociedade e energizar a Sociedade
refere-se à nossa ambição de continuar a
promover mudança social e económica, melhorar as
capacidades das pessoas e das empresas, a promover a
optimização dos processos.
5. De que forma surge o envolvimento da SONAECOM com a
AIDGLOBAL e como se consubstancia?
O envolvimento da Sonaecom com a AIDGLOBAL surge exactamente
desta vontade de fazer coisas novas e diferentes que caracteriza
ambas as organizações. A capacidade de fazer
acontecer é uma característica comum e que nos
está a permitir conhecer, interagir e encontrar
“pontes” de trabalho que criam valor tanto para a
AIDGLOBAL como para a Sonaecom. A Educação é,
certamente, uma dessas pontes.
6. De que forma imagina que se poderia dar a
facilitação do relacionamento entre, por um lado,
Organizações Não Governamentais com os seus
objectivos e necessidades e, por outro, empresas e grupos
empresariais com as suas estratégias de Responsabilidade
Corporativa? Como se poderiam mais facilmente encontrar, no seu
entender, já que partilham objectivos comuns?
Pensamos que este entendimento é crucial. As
instituições do 3º sector têm um
conhecimento profundo dos problemas que a nossa sociedade enfrenta
nomeadamente ao nível do trabalho que desenvolvem junto de
grupos mais desfavorecidos. As empresas privadas têm recursos
e competências importantíssimas para optimizar o
trabalho junto desses públicos. Neste sentido, parece-nos
essencial que o 3º sector e o sector privado trabalhem em
parceria através de plataformas comuns. O trabalho em rede
é essencial para a mudança social.
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