In AIDGLOBAL, Dialogar e Agir por + Igualdade na R.A.M., Workshop, Direitos Humanos, 2024, Media, R.A.M.,

Funchal acolhe Workshop e reforça o papel dos Media na promoção dos Direitos Humanos

A liberdade de imprensa é um princípio fundamental da democracia que também abrange o direito de os meios de Comunicação Social pesquisarem e compartilharem, com a população, informações relevantes, de forma consciente e inclusiva.
O papel do jornalismo é imprescindível a uma sociedade livre, singular e aberta. O modo de olhar a informação jornalística é, hoje em dia, determinante na defesa de regimes democráticos, no combate à desinformação, na proteção e promoção dos Direitos Humanos e Fundamentais, na sustentabilidade ambiental e social, e, acima de tudo, na renovação de uma esfera de bem público que ostente valores como os do Universalismo, da Igualdade e da Diversidade.

Dada a sua relevância, no dia 26 de janeiro, teve lugar, no Funchal, Região Autónoma da Madeira (R.A.M.), no Edifício da Reitoria da Universidade da Madeira (sala do pátio II), com participação gratuita e certificada, o Workshop “Comunicar pelos Direitos Humanos – O papel dos Media” que destacou a forma como são difundidas as notícias respeitantes a temas sensíveis como os Direitos Humanos, a Violência Doméstica, o comportamento dos indivíduos e da sociedade, em geral.

Na sessão, ministrada pela formadora, Joana Simões Piedade, licenciada em Direito, especializada em jornalismo e mestre em Migrações, Inter-Etnicidades e Transnacionalismo, foram dadas a conhecer várias publicações sobre as temáticas em questão, devidamente analisadas, para melhor transmitirem e alcançarem um maior número de pessoas, sobre os acontecimentos, que acabam por impactar e mobilizar a perceção pública contra as injustiças. Estes temas constituíram uma chamada de atenção para o facto de, por vezes, terem sido alvo de queixas junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social.

“Sentir-se-ão as pessoas vítimas de Violência Doméstica menos protegidas pela forma como os casos são noticiados? É importante descrever como é que o agressor matou a vítima? Geram-se mais agressões quando se noticiam casos de Violência Doméstica?” — foram estas algumas das questões que Joana Simões Correia apresentou e colocou em debate, tendo promovido, também, a reflexão em torno da afirmação de Borges (2019): “Os Media não estão a cumprir o seu papel pedagógico e estão a contribuir para o efeito de mimetização dos crimes”.  

Chegar a um público mais abrangente é um dos propósitos da Comunicação Social e a informação relativa à Violência Doméstica, às Migrações e às/aos Refugiadas/os, diretamente relacionada com os Direitos Humanos, deve ser transmitida de maneira a que não haja interpretações dúbias ou incorretas.

Não obstante o seu papel decisivo na formação da opinião pública, nomeadamente na sua atuação no âmbito da prevenção, sensibilização e informação, urge promoverem-se mais formações junto das/os jornalistas, de forma a que a cobertura e o tratamento informativo sejam um contributo para apoiar as pessoas mais vulneráveis.

Na sessão, foi apresentado o  “Guia de Boas Práticas dos Órgãos de Comunicação Social na Prevenção e Combate à Violência Doméstica contra as Mulheres e Violência Doméstica – CIG, 2019”, um documento decisivo que reforça o papel informativo/formativo da comunicação social relativamente às relações de poder, às desigualdades de género e à fundamentalidade da tolerância ZERO para com os comportamentos violentos.

Ao longo dos tempos, as mulheres têm sido privadas de exercerem plenamente os seus direitos, sendo sujeitas às mais variadas formas de abuso. A conceção do ser mulher (frágil, dependente, submissa, entre outras condições de inferioridade/incapacidade) e a Desigualdade de Género (como a diferença salarial, por exemplo) podem explicar a crescente e constante agressão contra elas.  As circunstâncias falam por si e evidenciam como a sociedade – ainda patriarcal – naturaliza a Violência contra as Mulheres.

Apelar ao direito à intimidade, integrar linhas de apoio existentes e facilitar a compreensão generalizada do fenómeno da Violência Doméstica contra as Mulheres constituíram temas para o diálogo e ação. O Encontro, que juntou pessoas interessadas em comunicação e jornalistas, visou capacitá-las/os para se tornarem mais resilientes e cautelosas/os na sua forma de comunicar, em prol de uma sociedade mais democrática, inclusiva, justa e igualitária.

O evento foi promovido pela AIDGLOBAL, em parceria com a Universidade da Madeira, e apoiado pelo JM-Madeira, âmbito do projeto projeto “Dialogar e Agir por + Igualdade na RAM” – financiado pelo Programa Cidadãos Ativ@s dos EEA Grants — que tem como Operadores a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Bissaya Barreto.
 
Bibliografia:
Borges, L. (2019, fevereiro 14). Agressores sentem-se impunes e inspirados por notícias de violência doméstica. Público. https://www.publico.pt/2019/02/14/sociedade/noticia/forma-falamos-violencia-domestica-estar-potenciala-1861774